IVERMECTINA

   Descoberta no final da década de 1970, Tóquio, a ivermectina resultou de um derivado da avermectina, a partir de um microrganismo isolado (Streptomyces avermitilis) pelo Satoshi Omura. É uma lactona macrocíclica, utilizada em medicamento de uso oral, normalmente em dose única, e faz parte do grupo dos antiparasitários com ação em diversos vermes e parasitas. Pode ser usada em alguns casos, como:

· Estrongiloidíase intestinal (Strongyloides stercolaris);

· Oncocercose (Onchocerca volvulus);

· Filariose (elefantíase) (Wurchereria brancrofti);

· Ascaridíase (lombriga) (Ascaris lumbricóides);

· Escabiose (sarna) (Sarcoptes scabiei);

· Pediculose (piolho) (Pediculus humanus capitis).

  Seu mecanismo de ação consiste em agir contra os parasitas e vermes por meio da paralisação tônica, ou seja, atua imobilizando suas musculaturas e isso faz com que eles morram e sejam eliminados do organismo. É bem absorvida no trato gastrointestinal e excretada pela via fecal e renal, em um período estimado de 12 dias. Pode causar algumas reações adversas como tontura, sonolência, tremor, urticária, inchaço, hipotensão postural, alterações na frequência cardíaca, alterações hepáticas, entre outras. É contraindicada para gestantes, lactantes, pessoas com meningite, doenças relacionadas ao Sistema Nervoso Central (SNC) ou doenças que reduzam o sistema de defesa do corpo e, além disso, deve-se ter atenção quanto ao uso concomitante com medicamentos que deprimem o SNC, tais como os que tratam ansiedade e insônia, e com bebidas alcoólicas.

  Atualmente, tem sido explorada a possibilidade de atividade antiviral desse medicamento com o intuito de se obter um tratamento contra a COVID-19. Entre as pesquisas sobre possíveis abordagens terapêuticas, chamou atenção um artigo publicado por pesquisadores do Instituto para a Infecção e a Imunidade Peter Doherty, Austrália, em junho de 2020. A ivermectina se mostrou eficaz, em estudos fora do organismo (in vitro), na inibição da replicação do Sars-CoV-2, o coronavírus, no prazo de 24 horas. Embora pareça promissor, o uso desse medicamento ainda precisa ser testado em humanos e avaliado de acordo com a dose utilizada na pesquisa, equivalente a 1000-1200mg, o que pode causar efeitos adversos graves. Além disso, a Agência de Vigilância Sanitária (ANVISA) não recomenda o uso de ivermectina para o tratamento de COVID-19.

  Sendo assim, sabe-se que o uso indevido de ivermectina tem se tornado uma prática corriqueira entre as pessoas no contexto atual da pandemia, o que gera grande preocupação, uma vez que pouco se sabe sobre os danos que essa exposição pode gerar ao longo do tempo.

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