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Mostrando postagens de junho, 2021

Importância da notificação de Reações Adversas a Medicamentos (RAM)

O que é RAM? A Reação Adversa a Medicamento (RAM), é qualquer resposta prejudicial ou indesejável, não intencional causada por um medicamento que foi utilizado em doses adequadas à enfermidade e condição clínica do paciente. Podem provocar danos graves à saúde, ocasionando muitas vezes, internações hospitalares e até mesmo óbito.   2-     Por que é importante notificar RAM? É importante notificar as reações adversas causadas por medicamentos para que se possa identificar reações adversas desconhecidas, identificar o aumento de reações adversas já conhecidas, avaliar e comunicar dos riscos e benefícios dos medicamentos no mercado e disseminar informações necessárias ao aprimoramento da prescrição e regulação dos medicamentos. Todas essas ações contribuem para a redução de morbidade e mortalidade associada ao uso de medicamentos, para melhoria da prática terapêutica e racional e principalmente instruem alterações futuras necessárias no produto, ou até mesmo a s...

Uso de anticorpos monoclonais para tratamento de COVID-19

  O que são anticorpos monoclonais: Anticorpos são proteínas que nosso corpo produz com o intuito de auxiliar o sistema imunológico a combater invasores como vírus e bactérias. Já os anticorpos monoclonais são aqueles produzidos em laboratório, por meio de engenharia genética, fazendo com que diversas células produzam o mesmo anticorpo. Eles são específicos para uma região do agente invasor, e se ligam em um alvo exato. Como eles agem? Os anticorpos monoclonais agem na proteína viral, chamada de   Spike, com o intuito de impedir que ela se ligue aos receptores das células do corpo. A ANVISA já aprovou o uso? Sim, a ANVISA autorizou o uso emergencial do REGN-COV2, que é a junção de dois anticorpos monoclonais: casirivimabe e imdevimabe. Como é realizado o tratamento? O tratamento é realizado apenas em ambiente hospitalar, somente por via intravenosa, e deve ser feito até o decimo dia, a partir do teste positivo para o vírus. O REGN-COV-2 foi produzido com o intu...

Nota Técnica: Ritalina®: Uso indiscriminado e dependência entre jovens.

           O que é Ritalina ®? A Ritalina® (metilfenidato) é um medicamento psicoestimulante do Sistema Nervoso Central (SNC) e seu mecanismo de ação se dá pela recaptação de dopamina e noradrenalina nas fendas sinápticas. É um análogo estrutural das anfetaminas que atuam aumentando a ação dos receptores alfa e beta adrenérgicos realizando a liberação desses neurotransmissores (ANDRADE et al. , 2018). Pode ser encontrado em duas formulações distintas, a Ritalina® (10mg), que possui liberação imediata do princípio ativo com duração de 3 a 4 horas, podendo ser administrado de 3 a 5 vezes ao dia. Em contrapartida, a Ritalina LA® (20, 30, 40mg), possuindo uma liberação prolongada com duração de 8 horas, recomendando assim, a administração somente 1 a 2 vezes ao dia (LOUZÃ et al., 2007).           Quando deve ser utilizada? É utilizada nos tratamentos de transtornos de déficit de atenção-hiperatividade (TDAH), caracterizado por ger...

Paracetamol: você conhece os riscos?

  O Paracetamol é um medicamento isento de prescrição de baixo custo que atua como analgésico (alivio da dor) e antitérmico (alivio da febre), além de possuir baixo efeito anti-inflamatório. Ademais, ele também é usado para amenizar os sintomas dos efeitos adversos causados pelas vacinas do COVID-19, entretanto, seu uso irracional pode trazer sérios riscos a saúde. Esse medicamento é considerado seguro quando administrado na dose certa e no tempo certo, isto é, na dose terapêutica de até 4000mg em 24 horas. Dessa maneira, ao ultrapassar essa dose pode gerar graves sintomas de necroso fatal ou não-fatal. Ele deve ser descontinuado no primeiro aparecimento de erupção cutânea e qualquer outro sinal de hipersensibilidade ou se os sinais e sintomas (febre, dor) persistirem após três dias de uso. Lembrando que o paracetamol pode mascarar a febre devido a outras causas subjacentes, como infecção bacteriana ou viral sistêmica. As chances de ocorres a hepatotoxicidade com grandes doses ...

O uso de anticoncepcionais orais pode causar trombose?

A maioria dos anticoncepcionais orais hormonais são compostos por uma combinação de um estrogênio (mestranol ou etnilestradiol) e uma progestina ou exclusivamente progestina. Desde 1960, quando os contraceptivos orais combinados começaram a ser introduzidos, eles estão associados ao risco de tromboembolismo venoso (TEV). O uso desses medicamentos se relaciona a elevação de fatores pró-coagulantes plasmáticos circulantes, como fibrinogênio (FI), protrombina (FII), fatores VII, VIII e X, bem como com uma diminuição moderada do fator pró-coagulante V (FV), com risco aumentado de trombose. Essas alterações fisiológicas causam mais impacto em mulheres com trombofilia hereditária preexistente ( deficiências de antitrombina, proteína C e proteína S e fator (F) V Leiden e mutação da protrombina G20210A). De acordo com o estudo, o risco de TEV em mulheres usuárias de anticoncepcionais orais e portadoras de FV Leiden (causa mais frequente de trombofilia hereditária) é 35 a 99 vezes maior em comp...

Interação medicamentosa entre anticoncepcionais orais e antibacterianos

Os anticoncepcionais orais contêm um hormônio fundamental na ação contraceptiva, denominado estradiol. Quando o estradiol está na sua forma livre, a chance de ser reabsorvido é grande, ao contrário de quando está ligado com o ácido glicurônico, sendo excretado através da urina. Algumas espécies de bactérias presentes na nossa flora intestinal são capazes de produzir uma enzima que rompe a ligação do estradiol com esse ácido, permitindo a reabsorção do estradiol e o efeito contraceptivo. Acontece que alguns antibacterianos, como Ciprofloxacino, Norfloxacino, Azitromicina, Amoxicilina, entre outros, destroem essas bactérias presentes na flora intestinal (principalmente o Clostridium sp) , fazendo com que o estradiol seja excretado pela urina rapidamente e, assim, diminuindo o efeito contraceptivo.   Outro mecanismo pelo qual os antibacterianos parecem reduzir os níveis plasmáticos hormonais, como Rifampicina, por exemplo, é pela indução das enzimas microssomais citocromo P450 n...

Nota Técnica: Desprescrição de benzodiazepínicos.

 A desprescrição de benzodiazepínicos por meio da interrupção ou redução do uso têm se mostrado eficaz nos casos de insônia primária ou por comorbidade (POTTIE et al, 2018), a fim de evitar o uso crônico que pode levar a dependência física e psicológica (MANTOVANI; QUAGLIATO, 2019).  O uso de benzodiazepínicos no tratamento da insônia, apresenta benefícios como: melhorias a curto prazo, de 1 dia a 6 semanas, redução na latência no início do sono de 4 minutos e uma hora adicional de duração do sono (POTTIE et al, 2018). Entretanto, o uso prolongado não é recomendado, principalmente em idosos, devido ao risco de desenvolvimento de dependência e outros efeitos adversos como quedas, fraturas, problemas cognitivos, sonolência, cefaléia e cansaço (FARIA et al., 2019). Os benzodiazepínicos atuam potencializando a atividade inibitória do receptor GABA, e devem ser utilizados em curto período, normalmente por até 4 semanas para o tratamento de insônia. Quando usados por um longo períod...

Nota Técnica: Eventos psiquiátricos causados por montelucaste.

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 1) O que é e qual o seu mecanismo de ação e o seu efeito? Há evidências de que os cisteinil-leucotrienos (LT) são produzidos na asma e que eles têm efeitos potentes sobre a função das vias respiratórias, induzindo broncoconstrição, hiper-responsividade das vias respiratórias, exsudação do plasma, secreção de muco e inflamação eosinofílica. Estes dados sugerem que o bloqueio da via dos leucotrienos com modificadores de leucotrienos pode ser útil no tratamento da asma, levando ao desenvolvimento de antagonistas do receptor Cys-LT1, incluindo o montelucaste, zafirlucaste e pranlucaste (BENARD et al., 2017). O montelucaste é um antagonista seletivo do receptor de leucotrieno (LTRA) que bloqueia especificamente o receptor de cisteinil-leucotrieno tipo 1 (Cys-LT1). Os Cys-LTs (LTC 4, LTD 4 e LTE 4) são importantes mediadores lipídicos pró-asmáticos que se ligam aos receptores Cys-LT. O receptor Cys-LT1 está localizado nas vias aéreas humanas e é sintetizado por uma variedade de células,...

Nota Técnica: O zolpidem é seguro?

 O zolpidem é um medicamento sedativo hipnótico não benzodiazepínico, aprovado pelo FDA em 1992 nos Estados Unidos e há alguns anos ele configura entre as drogas mais prescritas para adultos (WONG et al., 2017). O efeito sedativo causado pelo zolpidem acontece pela interação com receptores GABA A, mais especificamente com a subunidade α1 localizada no cérebro, o que desencadeia uma inibição do SNC. Exatamente pela afinidade a essa subunidade, o zolpidem possui maior efeito sedativo do que efeito miorrelaxante, ansiolítico e anticonvulsivante. (PEREIRA, 2019) Inicialmente era esperado que o zolpidem tivesse um perfil de segurança aprimorado com menores chances de causar tolerância e dependência, resultando em poucos efeitos residuais, dando maior preferência de prescrição aos hipnóticos do que benzodiazepínicos no tratamento da insônia (NEVRIANA et al., 2017; WONG et al., 2017). Apesar da sua eficácia no tratamento da insônia, o que se observa hoje em dia é o crescente uso dissemina...

Diferença entre medicamento referência, genérico e similar.

Segundo uma pesquisa realizada pelo IBOPE, cerca de 58% dos brasileiros não sabem a diferença entre medicamento referência, genérico e similar. O estudo também mostrou que cerca de 69% das pessoas não conhecem as regras estipuladas pela ANVISA para a substituição dos medicamentos. O medicamento referência é aquele inovador, sendo desenvolvido primeiro e que foi registrado após comprovação científica de sua eficácia e segurança. Eles apresentam nome de marca e também possuem comercialização exclusiva até terminar o período de patente do laboratório, que dura geralmente de 10 a 20 anos. O medicamento genérico é aquele que apresenta o mesmo princípio ativo, na mesma concentração, forma farmacêutica, via de administração, posologia, com a mesma indicação terapêutica e que pode ser utilizado no lugar do medicamento referência. Eles não apresentam marca, e sim uma tarja amarela com a letra G escrito “Medicamento Genérico” e o nome é do princípio ativo. Normalmente são bem mais acessíveis...

Fake News: Chá medicinais para tratamento da COVID-19

Atualmente é possível encontrar em diversas redes sociais sobre os chás naturais para cura ou prevenção da Covid-19, entretanto, isso não condiz com a realidade e pode oferecer riscos. O Centro de Inovação em Biodiversidade e Saúde (CIBS) em parceria com a Revista Fitos da Farmácia/Fiocruz (2020) postou uma nota referente ao alho e seu potencial antiviral contra vírus respiratórios como: Influenza B, Rinovírus Humano Tipo 2, Parainfluenza, dentre ouros. Entretanto, não há comprovação científica de que o alho ou o seu chá fosse capaz de prevenir a infecção do vírus SARS-CoV-2. Ele pode ser utilizado como coadjuvante nas doenças respiratórias por possuir propriedades expectorantes. O chá de erva-doce ( Pimpinella anisum ) também foi desmistificado como um possível tratamento para COVID-19. Essa planta possui a mesma substância que o medicamento Tamiflu® utilizado no tratamento do H1N1, porém o chá medicinal não apresenta o princípio ativo presente no medicamento, conhecido como fosfa...