AZITROMICINA

 A Azitromicina (AZM) é um antibiótico macrolídeo, usado frequentemente no tratamento de infecções respiratórias, diarreias e outras doenças infecciosas. Tem como característica predominante ser bacteriostático, pois seu mecanismo de ação é através da inibição da síntese protéica bacteriana pela ligação à subunidade ribossômica 50S, impedindo sua replicação.

AZM é um medicamento muito seguro, e seus principais efeitos colaterais são: náuseas, vômito, cólicas, diarréia. Este medicamento é contra indicado para pacientes com problemas hepáticos, principalmente hepatite ou cirrose, pois é uma droga que pode ser tóxica para o fígado. Apesar de não haver comprovação de que haja risco de mal formações, também não deve ser usado durante a gravidez, uma vez que não há estudos que comprovem a segurança nesta população. Ademais, AZM possui interação com alguns medicamentos, por exemplo:

• Antiácidos, que reduz a eficácia da AZM;

• Varfarina, potencializa a ação anticoagulante da varfarina;

• Hidroxicloroquina, aumenta o risco de arritmias cardíacas; entre outros.

Atualmente, a azitromicina tem sido estudada para uma possível prevenção ou tratamento da COVID-19. Embora o mecanismo de ação antiviral da mesma não esteja comprovado, estudos demonstraram a atividade sobre o vírus zika in vitro por meio da inibição da replicação viral. E por isso, sugere-se que AZM tenha propriedades antivirais, incluindo atividade contra SARS-CoV-2.

Em um estudo feito por docking molecular, o medicamento mostrou resultados mais promissores do que Hidroxicloquina e Cloroquina em todos os alvos analisados. Sendo assim, é proposto como o melhor candidato para inibição dos processos que contribuem para a replicação viral. No entanto, mais estudos são necessários para validar as propriedades antivirais dessa droga contra a SARS-CoV-2.

Até o momento, nenhum medicamento foi aprovado para uso clínico como agente antiviral contra COVID-19, devido à falta de estudos que comprovem a eficácia e a segurança. Além disso, a falta de evidências científicas relacionados à prevenção e ao tratamento da COVID-19 acarreta o uso inadvertido e, muitas vezes, desnecessário dos antibióticos, como no caso da azitromicina, levando ao aumento da resistência bacteriana.

Referências:

Braz, Helyson Lucas Bezerra et al. Estudo in silico da azitromicina, cloroquina e hidroxicloroquina e seus potenciais mecanismos de ação contra a infecção por SARS-CoV-2. Jornal internacional de agentes antimicrobianos. vol. 56. 2020.

Damle, Bharat et al. Perspectivas de Farmacologia Clínica sobre a Atividade Antiviral da Azitromicina e Uso em COVID-19.Clinical pharmacology and therapeutics. vol. 108. 2020.

Machiels, Julian D et al. Resposta a Gautret et al: sulfato de hidroxicloroquina e azitromicina para COVID-19: quais são as evidências e quais são os riscos? Jornal internacional de agentes antimicrobianos vol. 56. 2020. Oldenburg, Catherine E et al. Azitromicina para COVID-19 grave. The Lancet. 2020.

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